DEMOCRACIA Y JUSTICIA

DEMOCRACIA É NOSSO LEMA!
JUSTIÇA É O NOSSO PROPÓSITO
A PAZ O NOSSO OBJETIVO.!

LA DEMOCRACIA ES NUESTRO LEMA
LA JUSTICIA NUESTRO PROÓSITO
LA PAZ NUESTRO OBJETIVO!

terça-feira, 14 de maio de 2019

POR QUE DEIXEI DE SER ESQUERDISTA. Um relato pessoal sobre a revolução sandinista, a desilusão com o poder e as contradições que testemunhei na Nicarágua.






Um relato pessoal sobre a revolução sandinista, a desilusão com o poder e as contradições que testemunhei na Nicarágua.

A revolução que eu acreditava estar ajudando a construir

Logo após a queda da ditadura de Anastasio Somoza, em 1979 tendo eu 19 anos, carregando no corpo e na memória as marcas de ter sido preso e torturado pela polícia política somocista, e pulsando nas veias o fervor revolucionário,  decidi deixar o setor privado para servir à recém-nascida revolução sandinista. Fui convidado por um amigo e ex-companheiro de luta, Aquiles Montoya, para trabalhar na contabilidade da  Direção Geral de Construções, o braço administrativo financeiro  do Ministério da Construção responsável pelas obras públicas.

Acreditáva sinceramente que participáva da construção de uma nova Nicarágua: justa, democrática e verdadeiramente livre após quatro décadas de opressão dinástica. O entusiasmo era coletivo, embalado pelo desejo de transformar radicalmente a corrupção e o autoritarismo do regime anterior .

A campanha de alfabetização e a influência ideológica

O primeiro grande ato do governo revolucionário foi paralisar as escolas e universidades para mobilizar a juventude na Grande Campanha Nacional de Alfabetização, sob a divisa de salvar os irmãos camponeses e operários da ignorância que a ditadura tinha nos sobmetido. Era essa a retórica falaciosa!

Fecharam-se as escolas de ensino médio e as universidades, e em tempo recorde de 6 meses , formou-se o Exército Popular da Alfabetização (EPA) que iriam ao setor rural para alfabetizar os camponeses, e, no meu caso, por ser trabalhador, iria a formar parte das Milícia Operária Alfabetizadora (MOA)para alfabetizar os operários da construção civil.

 Fomos treinados para usar o projeto pedagógico — estruturado com materiais vindos de Cuba e fundamentado nos métodos do brasileiro Paulo Freire — que ia muito além do ensino básico. Nas reuniões de treinamento aos sábados, lideradas em sua maioria por cubanos, as cartilhas funcionavam como instrumentos de doutrinação ideológica.

A rotina era exaustiva: após o meu expediente no lugar que trabalhava, me dirigia as obras em construção e transformávamos o refeitório da obra em sala de aula, usando tábuas sobre blocos como assentos e improvisando quadros-negros.

A alfabetização era estrategicamente pensada para enraizar conceitos de luta de classes: a letra "F" remetia a "Frente", e o "S" a "Sandinista". Nos módulos avançados, introduzia-se o vocabulário marxista sobre burguesia, exploração e capitalismo. Embora eu já tivesse leituras críticas, como A Revolução dos Bichos de George Orwell, na época eu acreditava que tal conscientização era necessária para os oprimidos da classe trabalhadora. 

A primeira decepção: a revolução e os privilégios

Minha visão romântica começou a ruir devido a dois episódios marcantes. Como secretário de propaganda e cultura do FSLN da Juventude Sandinista no Ministerio,  e ativo organizador dos Conselhos de Defesa Sandinistas (CDS), portava um cartão especial que me concedia alguns privilegios e acessos, e uma arma regulamentar. Certa noite, convidado por uma jovem militante,amante de  um dos comandantes, participei de uma festa particular em uma mansão luxuosa que pertencera a um general somocista fugido.

O contraste chocou profundamente minha consciência. Do lado de fora, a população enfrentava filas intermináveis por racionamento de alimentos e itens básicos como papel higiênico; a carne era artigo de luxo inacessível. Do lado de dentro, a alta cúpula revolucionária e convidados estrangeiros — incluindo militantes brasileiros do PT — desfrutavam de uma festa suntuosa regada a uísque americano, charutos cubanos e pratos refinados de churrasco de picanha!

A segunda decepção: quando comecei a perceber o uso dos recursos públicos

Trabalhando na área contábil, minha função incluía catalogar e somar as despesas das obras públicas. Foi quando comecei a deparar-me com notas fiscais e recibos forjados de uma suposta obra de um projeto com nome Ministério do Interior. Os documentos ocultavam compras de luxo incompatíveis com a austeridade apregoada: tapetes persas (a revolução iraniana nasceu no mesmo ano que a nossa) , aquecedores de piscina e bebidas importadas entre outros artigos superfluos. 

Investigando , descobri que o destino daquela fortuna era a reforma da mansão particular de Tomás Borge, cofundador da FSLN e chefe da polícia federal sandinista — justamente a figura pública que mais atacava ferrenhamente nos seus discursos, os modos de vida burgueses.

O momento em que fui chamado de "inimigo e traidor da revolução"

A ironia atingiu o ápice num sábado  de doutrinaçã da equipe do MOA, quando a pauta da reunião de alfabetizadores exigia que o povo "abrisse outro furo no cinto" para suportar novos sacrifícios em nome da crise gerada pelo imperialismo Yanki. Incapaz de silenciar diante daquela hipocrisia, pedi a palavra. Denunciei que era inaceitável exigir mais jejuns e privações de trabalhadores enquanto os líderes da revolução viviam no luxo que publicamente condenavam, transformando o enredo de Orwell em realidade nua e crua, onde os porcos se locupletavam do trabalho dos outros animais.

A reação foi imediata e violenta. Um militante sandinista radical apontou o dedo para mim,boca espumando de ódio, e acusou-me de reacionário, inimigo e traidor da patria e da revolução — acusações que, naquele contexto, podiam resultar em fuzilamento sumário. Apenas a intervenção corajosa de um engenheiro presente, que trabalhava na obra,  que confirmou que a obra era na realidade a reforma da mansõ de Tomás Borge, herdada de um ex ministro somocista. Isto evitou as minha prisão imediata!

Da punição ao exílio

No dia seguinte, fui sumariamente afastado do meu local de trabalho,  e transferido a um lugar distante,  para um armazém de grãos, um ambiente abafado e infestado de ratos e baratas. Meu amigo Aquiles,  evitou a morte ou a cadeia, mas a perseguição política inclusive contra a minha familia e os que estavam próximo a mim, tornou minha permanência insustentável na minha patria mãe. Menos de um ano depois, em 1981, encontrei refúgio no Brasil, a terra que me adotou como uma nova mãe.

O que aquela experiência me ensinou

A lição mais profunda que extraí daquela vivência é que o discurso da igualdade e da justiça social serve como “canto das sereias” para a ascensão de novas elites autoritárias e corruPTas. Líderes de esquerda populistas da America Latina, como Fidel Castro, Ortega, Chavez, Lula, Petro, etc,  se utilizam da retorica demagógica da igualdade e do amparo do estado aos mais pobres, para enganar precisamente esse grupo da sociedade , enquanto eles- os porcos da Revolução dos Bichos-, vivem uma vida de rico se locupletando do dinheiro do povo trabalhador -os demais animais da obra Orwelliana. 

 Nicarágua, passado e presente

Hoje, a tragédia nicaragüense perpetua-se sob a ditadura corruPTa de Daniel Ortega e sua companheira  Rosario Murillo, marcada por centenas de mortes, prisões arbitrárias, o exílio de milhares de cidadãos e a perseguição implacável contra religiosos. A corrupção institucionalizou-se por completo.

Esse mesmo modelo corruPTo, tirânico, aliado a redes internacionais de poder na Rússia, China, Cuba e Venezuela, continua encontrando ressonância e apoio político no atual governo do Brasil e no Partido dos Trabalhadores. Seu líder Lula e o Foro de São Paulo, seguem  o mesmo script, enganando as massas ignorantes com o canto das sereias, ( promessas de comer picanha, bolsa familia etc), enquanto em conluio com  suas facções mafiosas infiltradas nas instituições do estado, esbanjam o dinheiro público com luxos ,exageros e corrupções. 

QUE VIVA LA REVOLUCIÓN CARAJO!

 







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