DEMOCRACIA Y JUSTICIA

DEMOCRACIA É NOSSO LEMA!
JUSTIÇA É O NOSSO PROPÓSITO
A PAZ O NOSSO OBJETIVO.!

LA DEMOCRACIA ES NUESTRO LEMA
LA JUSTICIA NUESTRO PROÓSITO
LA PAZ NUESTRO OBJETIVO!

quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

CONTO DE NATAL MÍSTICO


Estava tudo belo e tranquilo na pequena cidade do interior do sul do Brasil. A prefeitura enfeitara as ruas com lâmpadas coloridas em alusão ao Natal que se aproximava. Flores de diversas espécies e cores foram plantadas no coração da praça onde se repintaram os bancos que serviam de descanso para os caminhantes, recanto para namorados e Esteio para mendigos. A pequena praça possuía como monumento um soldado carregando um fuzil, erguido em homenagem aos expedicionários que o Brasil enviara para lutar na Itália durante a Segunda Guerra Mundial, e que em vigília permanente, olhava fixo para a rua que dava acesso ao único meio de transporte que chegava na cidade: O trem Zé fumaça.

Num dos bancos da praça, José estava sentado, ruminando em pensamentos sobre as duras provações-(ou seriam expiações?) que enfrentara  ao longo do ano que terminava. Tinha tentado de tudo para resolver seus sofrimentos: padres, pastores, pai de santo, seitas e igrejas de religiões das mais variadas, centros espíritas, casas de Candomblé, Umbanda e todas as bandas de anjos e demônios que existiam na região. Tudo em vão!

Olhando para a estátua, sentiu-se também petrificado na sua vontade de resolver as coisas que o atormentavam. Comparou o peso da mochila do soldado com o peso da sua já quase insustentável cruz que vinha carregando há algum tempo. Achava-se no fundo do poço, deprimido, sem emprego, sem esperança e sem família. O último parente que tinha ainda viva na terra era sua mãe, ela teria desencarnado durante a última pandemia que assolou o mundo. Somente não se suicidara de novo,  por que sabia pela literatura Espírita que o suicídio além de nada resolver, faria com que o sofrimento aumentasse ainda mais depois da morte no vale dos suicidas, e ainda teria um pesado carma a pagar na próxima reencarnação, caso tomasse a fatal decisão. E ele pressentia que já tinha feito isso antes.

Encontrava-se no auge do seu devaneio quando, sentou-se ao seu lado, um idoso maltrapilho que parecia um mendigo, que começou a olhá-lo insistentemente. José, percebendo que estava sendo observado, virou-se para evitar o olhar obstinado de tão estranho personagem. Este, suspeitando da iminente fuga daquele, foi direto ao assunto: - “ Eu sei onde podes encontrar a respostas paras tuas duvidas e achar uma solução aos teus problemas”_ Uma onda de calafrio percorreu a espinha de José indo parar no couro cabeludo lhe arrepiando os poucos cabelos que ainda lhe restavam. Olhando desconfiado para o velho, o reconheceu como sendo o que comentavam seria o feiticeiro louco que morava na praça.— E quem disse ao senhor que estou com problemas? — rebateu José, com a aspereza de quem se protege. — E, ademais, quem não os tem? O velho sem lhe tirar o olhar profundo e sereno lhe respondeu: -Sei que a maioria das pessoas, para não dizer todas, os tem, afinal de contas os sofrimentos fazem parte deste mundo. Porém, posso observar que eles estão causando graves prejuízos a tua saúde psíquica e física-.

E como o senhor sabe? José insistiu, o tom carregado de ironia. - Mergulhando no interior do teu corpo através das tuas pupilas. É o que modernamente chamam de “Iridologia”- respondeu lhe o velho.  Mas deixa isso prá lá! . Tem alguém que pode te ajudar. Gostarias de o conhecer? . José não sabia mais o que pensar. Seria o velho realmente louco como comentavam? ou seria realmente um bruxo, como outros sustentavam. Finalmente após refletir, decidiu seguir uma voz vinda não sabia de onde, anterior à própria razão, que sopravas no ouvido de José que lhe dizia - “Vá em frente! ao final de contas... não tens mais  nada á perder!.

-Está bem, seu... como é seu nome mesmo? “Noelio. Podes me chamar assim” respondeu o velho.

 _ Está bem seu.. Noelio onde acho esse alguém que irá me ajudar?

perguntou José ainda em tom ríspido

 - No Morro do Chapéu-! Respondeu-lhe.

  José deu uma risada sarcástica ao mesmo tempo em que pensava :“ “só essa me faltava”!. O que estou fazendo aqui falando com um velho maluco e ainda marcando encontro no Morro do Chapéu” -O velho continuou: - Se decidires ir em frente e acreditar, espero-te na ladeira do morro as sete horas da noite ”. Tchau!  Noelio levantou-se do banco e sumiu assim tão rápido como apareceu.

O “Morro do Chapéu”, é uma imponente montanha que se ergue num vale na divisa com o município vizinho. Tinha a forma de um chapéu coco, daí o seu nome. Misteriosas luzes eram vistas a noite, tanto no interior da montanha como algumas vindas do céu. Corriam boatos que o lugar servia de pouso para naves intergalácticas assim como ponto onde bruxas e bruxos se reuniam para realizarem seus rituais, alguns para fazer o bem, outros o mal.

Seguindo a sua voz interior, as 18:30 Jose estava sentado numa pedra ao lado da ladeira do morro. Chegara alguns minutos antes pois o lugar era de difícil acesso e pegara o último ônibus das 17 horas . O crepúsculo pintava uma aquarela fenomenal sobre o vale, porém ele estava alheio para ver tamanha beleza .Estava mergulhado nos seus pensamentos -que lhe diziam que estava ultrapassando a linha divisória entre a sanidade mental e a loucura, esperando por estranho personagem num lugar ermo, quando sentiu alguém bater lhe o ombro direito . Virou-se e lá estava Noelio, com um sorriso largo, mostrando os poucos dentes que ainda lhe restavam na boca. O sino da igreja da cidade embaixo batia 7 horas em ponto!

Começaram a subir o íngreme morro. A subida era uma iniciação aos mistérios da vida. A lua cheia que foi surgindo no horizonte, foi servindo de farol e durante o longo trajeto de várias horas, José foi conhecendo toda a riqueza em sabedoria espiritual que havia naquele personagem maltrapilho que recém conhecera. Falou-se sobre o Bem e o Mal, sobre a Vida e a Morte, Carma e Reencarnação, Destino e Livre Arbítrio, Justiça Divina a Lei de causa e efeito.

 Ao longo da subida e da conversa de aproximadamente três horas, Noelio revelou-se um poço de sabedoria e José, agora sedento, perguntava sobre o propósito da vida e sua irmã inseparável: a morte. De onde nós viemos? Com que propósito viemos ou estamos aqui? Para onde vamos depois? 

Soube que a vida é eterna .— A vida nunca se perde! O espírito é energia indestrutível. É aqui que somos imagem e semelhança de Deus.  

Continuando a retorica : - O que nos tememos tanto e que denominamos “morte, e nada mais que transição entre um “estado” da vida para outro, ou seja de uma forma de vida corpórea (material) para outra  imaterial  (espiritual). Fez uma analogia com a transformação do estado físico da agua do liquido (corpóreo) ao gasoso (não corpóreo espiritual) provocado pelo fogo (a “morte”).

- Então a vida não se perde, só se transforma! - exclamou José. Exatamente! -replicou o agora amigo Noelio . Nada se perde no universo! Tudo se transforma!  A partir desse momento José deixou de temer a morte e agora tinha uma profunda admiração e respeito por aquele personagem que ele, no seu preconceito, julgara ignorante pela sua aparência externa! Quanta sabedoria havia dentro dessa aparência simples e desleixada!  Pensou!

O manto azul-escuro do céu já abrigava as pequenas e cintilantes estrelas quando chegaram no topo da montanha onde tinha uma gruta escavada nas rochas. Lá de cima, dava para olhar as luzes da cidade e as pessoas percorrendo freneticamente as ruas do comercio para tentar saciar os seus impulsos de consumo coletivizados.

 - Bom, chegamos!_ falou Noelio. –“Deverás ficar aqui nesta gruta  a noite toda em estado de meditação- lhe disse em tom solene.  Enfiando a mão na sacola que trazia a tira colo, o velho pegou um pacote que estendeu pra Jose dizendo: “ Acende este incenso e esta vela  e procura ficar olhando para ela o maior tempo que for possível . Amanhã as sete virei te procurar. – Entregou-lhe uma vela de 7 dias de cor violeta, uma caixa de incenso de sândalo e uma caixa de fósforo e despediu-se com um apertado e aconchegante abraço.

José procurou um lugar dentro da gruta onde se acomodar. O clima no alto do morro estava bem agradável com uma suave e fresca brisa e a lua cheia iluminando o ambiente como um imenso holofote. Pegou a vela e acendeu-a, colocando-a bem na sua frente sobre uma pedra num lugar ao abrigo do vento, sentou-se ajeitando as costas na parede de pedra dura, encolheu as pernas, apoiou o queixo nos joelhos abraçando-os,  e em posição quase fetal começou a sua viagem interior, sempre olhando para chama da vela.

Foi pouco a pouco se desligando dos seus sentidos objetivos e do seu mundo exterior.  Sua respiração foi se tornando lenta e profunda, fazendo com que mergulhasse no seu mundo interior que desconhecia. Minutos depois, começou a sentir uma onda de suave de calor invadir lhe o plexo cardíaco que foi subindo para a cabeça. 

A medida que a onda se espalhava suavemente  por todo seu corpo,  começou a perceber os latidos do seu coração. Nunca tinha reparado nesse valioso órgão ao longo da sua vida.  Foi quando aconteceu o forte zumbido a penetrar-lhe seus ouvidos e logo após se viu flutuando fora do seu corpo. No começo teve medo. Será que morri? –Perguntou-se. Quando de repente se viu transportado a milhares de quilômetros de distancias em frações de segundos chegando a um lugar que parecia um templo da Grecia antiga, com enormes colunas na entrada. Ele estava experimentando um desdobramento astral do seu corpo psíquico para uma outra realidade.

Na entrada do templo o aguardava um ancião de longa cabeleira e abundante barba,  brancos como o algodão. O seu olhar doce e profundo parecia atravessar-lhe a alma como uma espada afiada. Empunhava um cajado com um estranho símbolo na extremidade superior. Vestia um longo vestido branco envolto por resplandecente luz. José quase confundiu com um Papai Noel místico, mais depois de refletir um pouco, percebeu que este era um ser diferente, quase um fantasma, pois parecia transparente.

O Ser o recebeu com um caloroso abraço, e com um sorriso convidou-o adentrar se dirigindo a um recinto enorme, de vários andares que continha uma imensa biblioteca. Após percorrerem por diversas estantes cheias de livros, se detiveram numa e onde tinham vários deles enfileirados, todos coberto com uma capa de couro com aparência de ser bem antigo; O SER assinalando os livros lhe dize com uma voz solene: ‘ -Aqui está a tua história nas tuas diversas existências ao longo da vida eterna do espirito!  Pegando o último livro da fila com ambas mãos, entregou-lhe dizendo em tom solene: -Este é da tuas ultimas reencarnações , Não te é permitido saberes tudo sobre tuas outras vidas, somente estas últimas te serão necessárias  para te servir de referência na tua atual existência, é o que precisas para compreender o presente. Boa viagem no conhecimento de ti mesmo” e desapareceu. 

 Jose achou uma cadeira confortável para se acomodar e começou a ler, não como aprendera no curso de leitura dinâmica, se não que, por razoes não físicas , conseguia ler as linhas que precisava somente com olhar a página. Como estava num estado de consciência expandida, ele leu em frações de segundos o que levaria semanas ou meses se tivesse lendo na condição corpórea. Logo que começou a ler percebeu um detalhe: as letras todas estavam escritas numa tinta preta que ficava indelével mesmo com o passar do tempo e estavam com caligrafias e idiomas diferentes, predominavam o inglês, português e espanhol. 

 Nos capítulos que datavam antes da data de nascimento da sua existência atual- estavam fatos marcantes que tinham acontecido que o deixaram assombrado e que nunca teria imaginado ter feito; não agora, com seus atuais valores morais! Cada fato trazia escrito no cabeçalho: DIVIDA CÁRMICA e um número. Cada detalhe estava ali registrado:  pensamentos, sentimentos, palavras, emoções, ações, omissões, vícios e virtudes praticados ao longo de cada existência. Descobriu que fora negro escravo., mas também que numa existência anterior, fora um orgulhoso e lascivo fazendeiro branco dono de escravos; assim como fora também noutra um soberano guerreiro destemido, colérico e vingativo. Noutras reencarnações, bem mais próxima da  atual, tinha participado de duas guerras políticas na Nicarágua em epocas diferentes, uma como general- onde fora condenado a morte  por ter se rebelado contra o ditador do qual fora aliado antes,sendo forçado  a fugir e se exilar no Panamá. Numa outra – no mesmo pais e 100 anos depois-, como soldado revolucionário. Nesta última vida, levou uma bala no pulmão perto do coração- inoperável na época- quando se encontrava prisioneiro das tropas contrárias, que mais tarde causou uma tuberculose que  o fez morrer lentamente, isolado, e com profundo rancor. Noutra fora um Juiz orgulhoso e implacável. Quase em todos os capítulos estavam os traços da dureza de sentimentos,  a rebeldia do caráter, o orgulho e a vaidade,  assim como os excessos dos prazeres. Ficou surpreso ao descobrir que numa existência fora um religioso que se deixou seduzir pela luxuria. Isso explicava seu gosto pelas coisas ligadas á espiritualidade assim como sua fraqueza nas tentações da cobra.

Na medida que ia lendo, foi se dando conta que a maioria dos sofrimentos da vida atual eram proveniente das violações das Leis Divinas que tinha cometido em  vidas passadas!. Também não se descartava a herança espiritual ligada a seus ancestrais, Com o Ego adormecido e relegado a segundo plano, a sua CONSCIENCIA ESPIRITUAL estava agora expandida e colocada em primeiro plano. Se dava conta como tinha sido ignorante e pecara contra Deus e contra seu próximo por diversas vezes; umas de maneira intencional e outras não. O seu egoísmo inato e orgulho foram marcantes em quase todas as suas existências. Se preocupara mais em satisfazer seus caprichos e desejos, mas em TER do que em SER. Quase em  todas suas encarnações não soube criar ligações de amor nos seus relacionamentos afetivos sexuais, só os do desejo. 

 Os escritos não tinham somente débitos cármicos mas também créditos dármicos! Soube que todos os atos e sentimentos de bondade, altruísmo e caridade que tinha praticado com o próximo, foram também devidamente registrados e compensados de diversas formas ao longo da vida eterna do Espirito .

 Lagrimas começaram a escorrer molhando as folhas dos livros que ele apressadamente tentava secar com um lenço; um sentimento profundo de tristeza e arrependimento tomaram conta do seu espírito. Era o choro da aceitação, o primeiro passo da cura.  aceitação dos seus erros, das suas fraquezas, dos seus defeitos! Compreendeu que Deus não castiga; Ele apenas permite que a escola da vida se repita até que a lição do amor seja aprendida.

Depois de ler os capítulos das suas existências pretéritas, foi a vez de ler o da sua vida atual. Acontecimentos que ainda lembrava estavam ali escritos, e outros que tinha esquecido, principalmente ligados a sofrimentos na sua primeira infância, mas que estavam guardados no seu subconsciente. Surpreendeu se ao perceber que na sua vida atual trazia traços de caráter ou subpersonalidades das outras encarnações. Qualidades e defeitos de caráter apareciam na medida que avançava no seu autoconhecimento.

Agora compreendia o que significava a expressão “JUSTIÇA DIVINA”, e como tudo era produto do Amor imensurável de Deus! Não existia castigo para seus crimes do passado e sim oportunidade de reparação em cada existência. ou reencarnação  Fez uma analogia com como se agia na escola antigamente, quando o aluno não passava numa disciplina teria que repetir de ano. Deus não mandava ao inferno sua criatura, a sua misericórdia infinita lhe dava uma segunda, terceira, infinitas chances de melhora através da reencarnação até aprender a respeitar Suas leis!  Oh bendita Lei da Reencarnação! Exclamou!!

Quando terminara de ler a última folha da sua atual existência, lembrou se da fórmula contável que aprendera no curso técnico em contabilidade que fizera quando jovem “todo debito corresponde a um credito e vice versa” . A conta não fechava!  Tinha passado ate agora mais sofrimentos dos que devia nos débitos cármicos! Foi quando ouviu a voz grave e profunda vindo do SER  que surgiu de repente dizendo : - O que não são débitos ou expiações  são provações para o teu adiantamento espiritual que tu mesmo pedistes antes de encarnar”. Jose levou um susto que o fez pular da cadeira!. 

 Nesses momentos inefáveis, foram lhe dado a conhecer algumas respostas de todas as suas dúvidas existências. Os momentos cruciais de dor e sofrimento de suas vidas, -as que eram necessárias para seu adiantamento espiritual- foram lhe apresentada em sucessivos flashes em forma de slides em questões de segundos. Deu-se conta que existia dentro dele um Ser originalmente puro e divino, que o vinha acompanhando desde que Deus o criara. Ele, o SER, ficava sempre o advertindo sobre os seus “descaminhos”, ao longo das suas vidas e o encorajando a carregar sua cruz. Quanta dor e lágrimas teria evitado se tivesse ouvido essa voz que esse SER que habitava no fundo da sua consciência lhe ditava diariamente, de ano em ano e de reencarnação em reencarnação. O SER é o que chamamos de ANJO GUARDIÃO. 

O Ser, lendo seus pensamentos continuou: -“Deus não força ninguém a seguir o caminho do bem, Ele apenas o mostra! O Ser humano goza de um dom que nem os anjos tem: O LIVRE ARBITRIO. O ser humano tem a livre escolha de seguir pelo caminho estreito e difícil que conduz a salvação e a felicidade ou o largo e cheio de facilidades – e de tropeços-  que leva a perdição e a dor-

Profundamente triste e com lagrimas que caiam copiosamente encharcando lhe a camisa, olhou para o Ser e notou que também lágrimas começaram a escorrer pelo rosto iluminado do Divino Amigo, como se ele também compartilhasse sua tristeza. Não houve palavras, somente sentimentos. Houve uma explosão de emoções retidas nas entranhas da alma de José durante séculos. Jogou-se nos braços do amigo e chorou compulsivamente aquele choro “ vindo do fundo da Alma”.

Depois, sentado na cadeira,  sentiu se  fragmentar em milhões de partículas e se fundir com o tudo. Era uma sensação centenas de vezes mais prazerosas das que ele já teve na sua existência corpórea. Ele que já tinha experimentado algumas drogas ilícitas e tido centenas de orgasmos no corpo físico, a sensação de nenhuma delas igualava a maravilhosa e inefável sensação que experimentava no momento. Era algo indescritível na linguagem humana. Estava experimentando um ORGASMO PSÍQUICO, ou Orgasmo da Alma, o êxtase da sua mente pensamentos junto a seus sentimentos emoções!

 Depois o Ser lhe dize: “ Notastes que até agora tens escrito tua história com a tinta preta da ignorância “ ao mesmo tempo que lhe oferecia uma caneta banhada em ouro com tinta dourada concluindo, “agora depende de ti começar a escrever a tua nova história, com as letras de ouro da Sabedoria ” . José pegou o valioso presente, agradeceu com um forte e fraterno abraço, e após um tempo, seu espírito desdobrado voltou para o seu corpo físico.

As sete em ponto de uma bela manhã de Natal, José que se encontrava deitado no chao em profundo sono, foi acordado com um perfume agradável lhe invadindo as narinas. Abriu os olhos e viu o sorriso desdentado do velho Noelio que o observava com um ar de alegria enquanto fazia círculos concêntricos com uma vareta de incenso ao redor da sua cabeça. O velho -só pelo olhar de José- sabia que ele tinha se libertado dos fardos que carregava ao longo dos anos. Pode perceber nos olhos do novo amigo, que a Luz da Verdade tinha entrado na sua alma e dissipado as trevas do sofrimento e da ignorância às quais se achava acorrentado durante anos. .E CONHECERES A VERDADE E A VERDADE VOS LIBERTARÁ! Disse-lhe sorrindo. Finalmente o Amor do Cristo, tinha nascido na dura manjedoura do seu outrora coração petrificado. José retribui o sorriso dele com outro cheio de imensa alegria e paz profunda, inspirou profundamente e depois expirou lentamente fechando os olhos, deixando estampado no seu rosto uma imensa calma que lhe invadia a Alma. Partiu para outra dimensão da vida. Não levava mais mágoas ancestrais, levava com ele a caneta que ganhara do seu amigo espiritual, para começar a escrever- agora com letras douradas- as novas linhas impregnadas pelo amor, de sua próxima  história na sua vida futura!

 Na cidade embaixo se ouviam músicas natalinas e na cidade acima um coral angelical cantava: “Gloria a Deus nas alturas, e paz na terra aos homens de Boa Vontade!

FELIZ NATAL EM PAZ E JUSTIÇA!